Se você detesta politicagem de empresa, este texto é para você!
Como empreender sem enlouquecer
Se você já sentiu que não se encaixa no "jogo social" do mercado de trabalho, este texto é para você. Eu também tentei seguir o caminho padrão: faculdade, carreira em grandes empresas, estabilidade… Mas minha mente analítica e minha aversão à politicagem me empurraram para outra direção. Mas, isso veio com muito custo…
Na edição de hoje da Newsletter do Moa, eu vou te mostrar como encontrar o jogo certo para o seu perfil — e como isso pode mudar completamente sua trajetória profissional (e o quanto de dinheiro você coloca no bolso).
O tal do game social
Como a maioria das pessoas, eu comecei a minha carreira de baixo pra cima. Eu não tinha a mínima noção tática ou estratégica. Não entendia porquê alguém programava um software, por exemplo. Devido à pouquíssima visão de mundo de jovem somado à total incapacidade do sistema de ensino (detalhe: estudei em um dos melhores colégios de São Paulo), eu achava que o trabalho era um fim em si mesmo.
Eu também não tinha a mínima noção de quais eram minhas fraquezas e quais eram minhas fortalezas. Ok, eu era um aficionado por tecnologia, mais especificamente por computadores e, por isso, decidi cursar Análise e Desenvolvimento de Sistemas na faculdade. Sabia que queria ser um programador. Mas, em qual ambiente? Qual indústria? Qual tamanho de empresa?
Me perdoe o francês, mas, na real, eu era um fodido de grana. Não tão fodido como quem não tem o que comer, mas, fodido o suficiente para viver em um ambiente de tanta escassez que “escolher emprego” era um “luxo” inimaginável.
O meu início de carreira foi como o de tantas outras pessoas da minha idade. Eu fui preparado pela família, pela escola e pela faculdade a buscar o tão sonhado lugar em uma multinacional ou, quem sabe, ainda, num emprego público e “estável”.
Acontece que eu nunca fui bom em jogar o “game social”. Nunca fui bom em “não ser 100% verdadeiro” nos relacionamentos interpessoais. Minha mente analítica sempre teve muita dificuldade de compreender e de jogar esse jogo. Sempre fui ruim em manter aparências e em bajular pessoas. Meu modus operandi sempre foi focado em resultado, em mérito, em “força bruta”. Numa multinacional e com esse perfil? Qual seria a minha chance de sucesso? Pois é… nenhuma.
Aos poucos, fui encontrando meu caminho
Sorte que eu sempre fui teimoso e inconformado. Depois de um flerte com o serviço público e outro flerte com a vida corporativa, eu percebi que eu era completamente infeliz nesses locais, então, decidi fugir desse game social e “me tornar um ermitão”: virei freelancer.
Durante a fase de freelancer, o meu objetivo principal era encontrar uma fonte de renda que me livrasse de ter que trabalhar com tecnologia. Esse era o nível de desgosto que eu tinha experimentado com o ambiente até então. Acontece que tecnologia, bem ou mal, ainda era minha paixão. O que eu não gostava não era a tecnologia, mas, sim, o ambiente corporativo.
Então, depois de alguns anos de idas e vindas ao mercado de trabalho, muita indecisão e incômodo, eu conheci uma galera foda que me fez acreditar novamente que era possível ser feliz na programação. Então, eu abri a Codevance e, em pouco tempo, já estava ganhando muito bem.
Além de ganhar bem, eu estava feliz, fazendo o que mais amava, que era construir software. Mas, como alegria de pobre dura pouco, de repente eu estava trabalhando igual a um camelo. Até que eu aguentei esse ritmo forte durante um tempo, mas, chegou uma hora que eu fiquei de saco cheio. Foi quando decidi “escalar”.
Reforcei o time de desenvolvimento para poder focar na área comercial. A partir daí, eu comecei a entender, de fato, como funciona o mercado de prestação de serviço de desenvolvimento de software. Até então, todos meus clientes tinham vindo por indicação. Agora, que eu estava correndo ativamente atrás de novos clientes, eu entendi que teria que jogar o “game social”. De novo, um banho de água fria na cabeça.
Até que surgiu outra esperança: o marketing digital. Nesse jogo, o game não era o relacionamento. Eu não precisava jogar um jogo de aparências com diretores de grandes empresas para fechar um contrato de R$ 100.000. No marketing digital, o game era de “criação de máquinas". Ao invés de depender de poucas pessoas que pagam muito, a minha máquina “se relacionava” com milhares de pessoas que pagavam pouco. Foi quando me juntei ao Renzo, e criamos a DevPro. Em menos de três anos vendemos para mais de 1.000 pessoas, a maior parte do tempo com um time de apenas 3 pessoas.
Por motivos de força maior, acabamos interrompendo a parceria, depois de alguns anos de trabalho. Independentemente disso, eu já tinha sido picado pelo bichinho… eu já tinha me apaixonado pelo modelo de escala e, por isso, decidi fundar o Tintim seguindo os mesmos princípios: vender barato pra muita gente, e não depender de ter que jogar um game social para garantir meu sustento.
Qual é o seu perfil?
Se você fez muitos processos seletivos, provavelmente você já fez um teste chamado DISC. O DISC é um modelo de avaliação comportamental que classifica as pessoas em quatro grandes fatores: Dominância (D), Influência (I), Estabilidade (S) e Conformidade (C). Cada pessoa é classificada em dois fatores, sendo um deles predominante.
Eu sou um “Dc”. Isso significa que meu fator predominante é a dominância, e o meu segundo fator é a conformidade. Dá uma olhada no que o ChatGPT diz quando ele analisa o meu perfil DISC:
*No geral, você parece ser uma pessoa orientada para resultados, que valoriza a ação e a eficiência, mas sem deixar de lado um certo nível de organização e precisão. Provavelmente, se dá bem em ambientes dinâmicos e de alto desempenho, como uma startup. *
No ambiente corporativo tradicional (grandes empresas, com hierarquia rígida, processos bem estabelecidos e menos flexibilidade), você provavelmente enfrentaria alguns desafios. O ambiente corporativo exige um alto nível de diplomacia e adaptação ao "jogo político". Como seu perfil tende a ser mais direto, pode ser desafiador navegar em culturas onde as decisões são tomadas mais por influência e alianças do que por mérito técnico.
Agora, imagina eu, com 18 anos de idade, completamente perdido no mundo, tentando ir contra minha natureza e tentando me adaptar a esses ambientes… é a receita para endoidar perder a sanidade mental.
Qual game te favorece?
Isso significa que ambientes corporativos ou repartições públicas são lugares tóxicos? Não, necessariamente. Isso significa que eu, MOACIR, não tenho o perfil necessário para navegar bem nesses ambientes. Foi por isso que eu decidi sair do mercado “B2Bzão”, que é o mercado em que a empresa vende para outras grandes empresas, e entrar no mercado “B2Bzinho”, que é o mercado em que a empresa vende para pequenas empresas.
Christoph Janz, partner da Point Nine Capital, escreveu um blogpost em 2014 explicando quais são as cinco formas de construir uma empresa de $ 100M de faturamento anual. Veja o gráfico:
Não importa se você faz uma venda de $ 100k para mil empresas, ou se você monetiza dez milhões de usuários a $ 10 cada, o resultado é o mesmo. Acontece que o jogo de fazer uma venda de $ 100k é totalmente diferente do jogo de monetizar milhões de usuários.
Eu sei que esses números enormes assustam, mas, abstraia o volume. A mesma lógica serve para negócios de menor escala. Para faturar R$ 1M no ano, você pode fazer dez vendas de R$ 100k ou mil vendas de R$ 1k. Para fazer uma venda de R$ 100k, você vai precisar de um alto nível de habilidade interpessoal. Agora, uma venda de R$ 1k é bem mais simples de ser feita, e não exige tanto people skill assim.
Eu quero ficar rico e imagino que você também queira ficar rico. Ótimo! Desejo super genuíno. Agora, mais importante do que ficar rico é manter a sanidade mental e, principalmente, se divertir durante a jornada. Para isso, é necessário que você potencialize suas habilidades.
Você é o cara técnico e mão na massa? Talvez faça mais sentido você construir tecnologia que consiga atender um grande volume de clientes a um ticket mais baixo. Agora, se você é o cara do relacionamento, talvez faça mais sentido vender um ticket muito mais alto para poucas pessoas.
Baseado nas suas habilidades, qual caminho você quer seguir?
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💪🏻 O meu objetivo com essa newsletter é ajudar profissionais de tecnologia que desejam desenvolver uma visão mais estratégica.
Além disso, pretendo também compartilhar outras coisas, como um pouco dos bastidores da construção de um negócio SaaS, as minhas opiniões e meus aprendizados. A ideia geral é ser uma documentação pública e estruturada dos meus pensamentos e aprendizados ao longo dos anos.
Portanto, se você se interessa por soft-skill, desenvolvimento pessoal, empreendedorismo e opiniões relativamente polêmicas, sugiro que você se inscreva para receber as próximas edições. ⬇️